A turma chegou cedo. Eu e Mergulhinha chegamos às 07:15 horas e a AORE/RJ estava fervilhando de gente.

 

 

Separávamos as Medalhas dos seus complementos e estregávamos ao pessoal que viera buscar para o S/3 já arrumar para a cerimônia.

 

 

Ten Zukerman arrancava os cabelos com a turma que prometia e não aparecia, desfalcando sua Guarda Bandeira. Tranquilizei-o que eu havia trazido a espada e luvas, logo, após as condecorações (eu seria um dos agraciados), sairia de fininho do palanque e iria me juntar à Guarda.

 

 

Ouvi um toque de clarim e fui para a frente do Pavilhão de Comando ver quem chegava. Era o General Castro. Gen Arruda já lá estava conversando com o Cel Nascimento Gomes, Comandante do CPOR/RJ e juntei-me a eles que aguardavam o General Campos, novo Chefe do DECEx. . 

 

 

É o 4 de novembro, nascimento do patrono, Tenente Coronel Luiz de Araujo Correia Lima. E comemorado em todas as Guarnições do Exército no Brasil, algumas por problemas operacionais ou de agendas dos Chefes Militares em dias próximos, como em Brasília, que será no dia 11 e para onde, nós do CNOR nos deslocaremos.

 

 

No Rio de Janeiro, foi comemorado no Centro de Preparação de Oficiais da Reserva do Rio de Janeiro, no complexo de favelas da Maré para onde foi transferida a Escola com denominação histórica de Centro Tenente Coronel Correia Lima, o primeiro criado no Brasil em 1927, portanto, um senhor de 88 anos já.

 

 

Presente a maior autoridade militar, o General de Exército João Camilo Pires de Campos, Chefe do Departamento de Educação e Cultura, foram-lhe prestadas as honras militares para o início da cerimônia no Pátio Major Apollo.

 

 

Foram condecoradas diversas personalidades civis e militares, primeiro, com a Medalha Major Apollo do CNOR – Conselho Nacional de Oficiais da Reserva:

  1. Gen Ex Paulo Cesar de Castro
  2. Cel Art Sinésio Ramos Martins
  3. Tem Inf FEB Israel Rosenthal

 

 

A Medalha Major Apollo (assim com dois L) não se refere a mais um herói da FEB. 

 

 

Apesar de quase desconhecido da AMAN que tem em seu mártir o Aspirante Mega, o Major R/2 Apollo Miguel Rezk foi o MAIS CONDECORADO HERÓI DA FEB, pois, além das quatro Medalhas de Guerra brasileiras, recebeu dos EUA a Silver Star por desempenho em Monte Castelo. 

 

Outros brasileiros, também. 

 

Mas, por extrema bravura em combate, foi condecorado pelo Governo dos EUA, com o Distinguished-Services Cross (Cruz por Serviços Notáveis) por ter mantido a posição em LA SERRA até a chegada da 10º de Montanha americana, ferido. 

 

 

 

Aí está a diferença. Esta Medalha DSC na II Guerra Mundial, só foi conferida a QUATRO militares, 3 americanos (incluindo o famoso astro do cinema Audie Murphy) e um ESTRANGEIRO. 

 

 

O nosso Apollo, era esse estrangeiro. 

 

A vida do Apollo segue no verso do Diploma da Medalha que leva seu nome.

 

 

Recentemente, publiquei um livro sobre a história de nosso herói que pode ser encontrado pela Internet em:

 

 

 

E, face a publicação desse livro, o General Montezano, então Chefe do DECEx, colocou o nome de todas as turmas dos OFOR no ano passado de TURMA HERÓI DE LA SERRA – TENENTE APOLLO MIGUEL REZK

 

 

Em seguida foram agraciados com a Medalha Verde-Oliva Major R/2 Joaquim Thiago da Fonseca, da AORE/RJ – Associação dos Oficiais da Reserva do Exército:

  1. Ten Barros
  2. Tan Ávila
  3. Ten R/2 Art Luiz Mergulhão
  4. Ten R/2 Art Sergio P. Monteiro
  5. Ten Clavery
  6. Cel Busatto

 

 

O Major Thiago, Aspirante a Oficial R/2 da Arma de Infantaria do CPOR/SP, turma de 1943, embarcou para o Teatro de Operações da Itália em 08/02/1945, participando com destaque da Campanha da FEB. Em 17/04, ao tombar em combate o lendário Aspirante Mega, o Ten Thiago assumiu o comando do pelotão que acabara de perder seu líder, em dramático episódio que passou para a nossa história militar como uma das glórias do Regimento Sampaio. O Major Thiago, falecido em 21/4/2009, integrou a Diretoria da Associação Nacional dos Veteranos da FEB e era Sócio Benemérito da Associação de Oficiais da reserva do Rio de Janeiro, que o homenageou criando a Medalha Major Thiago. O auditório do CPOR/RJ recebeu o nome do ilustre militar, que nos últimos anos participou de vários Encontros Nacionais de Oficiais R/2.

 

 

 

O Tenente Monteiro, Presidente do CNOR, fez a leitura do texto alusivo à data.

 

MENSAGEM DO PRESIDENTE DO CNOR PARA O DIA DO OFICIAL R/2

 

O Comandante do Exército, através da Portaria nº 429, de 18 de julho de 2006, em atendimento a uma proposta do Conselho Nacional de Oficiais da Reserva, instituiu o DIA DO OFICIAL R/2. A data escolhida - 4 de novembro - marca o nascimento do Tenente-Coronel Luiz de Araújo Correia Lima, idealizador dos Órgãos de Formação de Oficiais da Reserva do Exército Brasileiro.

Nascido em Porto Alegre no ano de 1891, Correia Lima era filho do General de Divisão Gonçalo Correia Lima e de D. Ana Correia Lima. Cursou o ensino fundamental no Colégio Militar de Porto Alegre. Sentou praça no exército, como soldado, em 26 de setembro de 1907, no extinto 17º Batalhão de Infantaria, na época sediado em Porto Alegre. Aprovado em concurso para a Escola Militar, foi aluno destacado. Em 1916 casou-se com a senhora Marina de Sousa Melo, com a qual teve cinco filhos. Oficial da arma de artilharia, Correia Lima, militar estudioso e inteligente, exerceu com brilhantismo inúmeras comissões no exército. Na Primeira Guerra Mundial participou da vigilância da costa brasileira na região do Rio Grande, integrando o 17º Grupo de Artilharia. Lutou contra os revoltosos de 1924, incorporado ao 1º Grupo de Artilharia Pesada.

 

 

A Primeira Guerra Mundial deixara a evidência que, além dos praças reservistas, era necessário que os exércitos formassem oficiais da reserva para exercer o comando de pequenas frações de tropa. Assim, em 1919, surgiu o ROTC do exército americano. No Brasil, em 1920, com o advento da missão militar francesa, foram feitas algumas tentativas isoladas de formar oficiais da reserva da arma de artilharia com alunos da Escola Politécnica. Mas somente graças aos esforços do Capitão Correia Lima - que visitava fardado as universidades em busca de apoio no meio acadêmico - o exército criou, em 22 de abril de 1927, o CPOR do Rio de Janeiro, primeiro do sistema OFOR, sediado inicialmente no quartel do 1º Regimento de Artilharia Pesada Curta, mais tarde denominado 21º Grupo de Artilharia de Campanha, em São Cristóvão, no Rio de Janeiro.

 

 

Não quis o destino que o bravo militar - primeiro comandante do CPOR - vivenciasse o acerto dos seus ideais. Então major, aos 39 anos, Correia Lima, foi morto na defesa de seu comando no 1º Grupo do 9º Regimento de Artilharia Montada, em Curitiba, atacado pelos revoltosos de 1930. Nesse mesmo ano, em 13 de outubro, foi promovido post-mortem, por bravura, ao posto de tenente-coronel.

 

 

A Segunda Guerra Mundial comprovou as teses de Correia Lima. A Força Expedicionária Brasileira incorporou 433 oficiais R/2 entre os seus 1070 oficiais subalternos. Dos 12 oficiais combatentes tombados no cumprimento do dever, a metade era da reserva. O único militar febiano condecorado pelos Estados Unidos com a Distinguished-Service Cross foi o 1º Ten R/2 Convocado Apollo Miguel Rezk, “por extraordinário heroísmo em ação, comando inspirado e persistente coragem.”

 

 

 

Na paz e na guerra os herdeiros de Correia Lima estão presentes na história militar brasileira. Em tempo de paz, completando as necessidades da Força. Na guerra, cumprindo seu dever e, muitas vezes, oferecendo à Pátria o seu bem maior.

 

 

 

Na data de hoje, os Tenentes estão de volta à caserna. De onde, verdadeiramente, nunca se afastaram. O exército, para todos nós, será sempre a extensão da casa paterna. Como soldados, nada pedimos além do reconhecimento de nossa orgulhosa condição de militares da reserva. O exército nos acolhe ainda meninos e nos transforma, além de oficiais, em cidadãos bem formados e em líderes. Estamos presentes em todos os segmentos da sociedade brasileira. Geralmente em situação de relevância. Muitas vezes em posição estratégica. Mas sempre prontos para as missões que nos forem destinadas.

 

 

 

A bipolaridade de nossa formação civil/militar, de quando em quando, nos impõe este retorno: para despoluir as nossas mentes; para fortalecer a capacidade de resistir; para remuniciar nosso arsenal cívico na luta por melhores dias, em busca de novos rumos, na defesa de uma Pátria soberana, desenvolvida, livre e democrática. Como diz a nossa canção, “somos a reserva atenta e forte”. ESTAMOS ATENTOS E CADA VEZ MAIS FORTES E COESOS.

 

 

Ao Comandante do Exército Brasileiro, reiteramos e renovamos nossa gratidão e a mais profunda lealdade.

BRASIL!

Rio de Janeiro, 04 de novembro de 2015

Sérgio Pinto Monteiro, 2º Ten R/2 Art - Presidente do Sistema CNOR

 

 

Em seguida ouvimos as palavras do Chefe do DECEx, General Campos.

 

 

Ao final da formatura, a tropa desfilou em continência ao Chefe do DECEx tendo a frente os Oficiais R/2.

 

E lá estava eu na Guarda Bandeira do Tenente Zukerman. Ele carregando o Pavilhão Nacional, Ten Alfredo carregando o Estandarte do CNOR e o Ten Denis o Estandarte da AORE/RJ. Aqui temos de ser polivalentes... E sempre prontos!

 

 

E em seguida, o Estado-Maior tendo à frente o Tenente Coronel Roberto, Subcomandante do CPOR/RJ.

 

 Missão Cumprida!

 


 

Joomlashack