A Primeira Guerra Mundial, ocorrida de 1914 a 1918, deixou muitos ensinamentos aos estrategistas militares. Um dos mais importantes foi a constatação de que os exércitos beligerantes daquele conflito, ao convocarem suas reservas, tiveram grandes dificuldades em torná-las operacionais pela ausência de uma formação específica de tenentes da reserva para o comando de suas pequenas frações de tropa. Em consequência, logo no ano seguinte, 1919, surgiu nos Estados Unidos, o ROTC, pioneiro na formação de oficiais subalternos da reserva.

No Brasil, já a partir da chegada da Missão Militar Francesa nos idos de 1920, foram feitas algumas experiências de formar oficiais da reserva da arma de artilharia com alunos da Escola Politécnica. Mas foi graças aos esforços do Capitão de Artilharia Luiz de Araújo Corrêa Lima, que o Exército Brasileiro implantou no país um sistema de formação de Oficiais da Reserva.

Estudioso dos mecanismos de convocação e recompletamento dos exércitos europeus envolvidos na 1ª Guerra Mundial, Corrêa Lima lutou bravamente contra muitas incompreensões até ter realizado o seu sonho de ver implantado, no Exército Brasileiro, os Órgãos de Formação de Oficias da Reserva. Foi o criador e primeiro comandante do CPOR do Rio de Janeiro, instituído em 22 de abril de 1927.

Infelizmente, o Major Corrêa Lima, quando comandante do 1º Grupo do 9º Regimento de Artilharia Montada, sediado em Curitiba, teve a sua vida e carreira interrompidas durante a Revolução de 1930, ocasião em que seu quartel foi atacado de surpresa, sendo ele morto no dia 5 de setembro de 1930. Em 13 de outubro do mesmo ano, foi promovido post mortem a Tenente Coronel, por ato de bravura.

O acerto dos ideais de Corrêia Lima ficou evidenciado durante a Segunda Guerra Mundial, quando a Força Expedicionária Brasileira incorporou 433 Oficiais R/2 entre os seus 1070 oficiais subalternos. Era praticamente a metade. Dos doze Oficiais combatentes tombados no cumprimento do dever, meia dúzia era R/2. Exatamente a metade. Deram à pátria o seu bem mais precioso. A nação lhes deve permanente respeito e eterna gratidão.

Pelo Centro de Preparação de Oficiais da Reserva do Rio de Janeiro passaram, até a presente data, cerca quarenta mil jovens que o Exército transformou em Oficiais e em Líderes, muitos dos quais ocupam posições relevantes na sociedade brasileira.

O Conselho Nacional de Oficiais da Reserva foi criado em 21 de abril de 1997, durante a realização, no CPOR do Rio de Janeiro, do I Encontro Nacional de Oficiais da Reserva do Exército. O CNOR surgiu por orientação do General-de-Exército Gleuber Vieira, na época Chefe do Departamento de Ensino e Pesquisa, diante da conveniência e necessidade de se criar um órgão federativo que pudesse representar, junto ao Comando do Exército, as meia dúzia Associações de oficiais R/2 então existentes. Hoje, após quase vinte anos de intensas atividades, o Sistema CNOR, atuando em consonância com as diretrizes da Força, incorpora dezenove Associações regionais, com cerca de dez mil oficiais R/2 cadastrados.

Entre as ações desenvolvidas pelo Sistema, destacam-se os Encontros Nacionais de Oficiais da Reserva - ENOREx - realizados anualmente por uma das nossas regionais espalhadas por todo o país. Tais Encontros reúnem, em média, cerca de 250 oficiais que, durante cinco dias participam de uma intensa programação envolvendo, entre outras atividades, palestras proferidas por chefes militares das três Forças e visitas à organizações militares da área. Em novembro deste ano estaremos realizando, em Brasília, o 18º ENOREx.

Outra importante iniciativa do CNOR foi o 1º Curso de Atualização de Oficiais da Reserva, projeto piloto realizado no ano passado pela AORE do Rio de Janeiro, sob a supervisão do Departamento de Educação e Cultura do Exército.

A Associação dos Oficiais da Reserva do Exército - AORE/RJ, antiga Associação dos Ex-Alunos do CPOR do Rio de Janeiro, foi criada em 13 de abril de 1992, tendo como fundadores ex-alunos e ex-instrutores do Curso de Artilharia do CPOR, da Turma de 1961.

Nesses 24 anos de intensas atividades a Associação do Rio de Janeiro transformou-se em modelo para suas congêneres de todo o país, pela eficácia de suas Diretorias, aliada ao entusiasmo de seu quadro social. Uma das principais realizações da Associação foi a implantação, em sua sede aqui no CPOR, do Museu do Oficial R/2, que tem como tema principal a preservação da memória da Reserva, com ênfase para os 433 oficiais R/2 integrantes da Força Expedicionária Brasileira, em especial o então Tenente Apollo Miguel Rezk, único brasileiro agraciado com Cruz por Serviços Notáveis, do Exército Americano.

Na data de hoje, ao comemorarmos os aniversários das três organizações - CPOR, CNOR e AORE/RJ, ressaltamos os indestrutíveis laços afetivos que nos unem ao Exército Brasileiro, ao mesmo tempo em que exaltamos o nosso indisfarçável orgulho de integrar a RESERVA ATENTA E FORTE, parcela importante da RESERVA BRASILEIRA, GARANTIA DA SOBERANIA NACIONAL.

Rio de Janeiro, 20 de abril de 2016

Sérgio Pinto Monteiro - 2º Ten R/2 Art

Presidente do Sistema CNOR

 

 

 

 


 

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